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"Qualitativamente, a entropia
é uma medida de desordem (...) "Ordem", no sentido usado aqui, descreve
o grau em que se confinam as partículas de uma substância em uma
dada região do espaço. (...) Pensando cuidadosamente acerca dessa
matéria, observamos que há uma tendência inerente comum a substâncias
inanimadas para se tornarem desorganizados. (...) Em muitos processos
físicos, o aumento de entropia é a principal força motriz."
MASTERTON & SLOWINSKY, in QUÍMICA GERAL SUPERIOR (Ed. Interamericana,
4ª Edição) p. 278 e 281
Desde 1994 - quando Internet ainda era algo distante da minha realidade
de (recém-formado) aluno de Comunicação - eu
vivia frustrado por me sentir cercado de pessoas que eu considerava
criativas e que não conseguiam (como eu) achar um canal legal
para se expressarem. Me meti em diversos projetos à procura
dessa pedra filosofal criativa; alguns renderam mais que outros,
e no fim todos valeram pela experiência, mas nenhum chegou
a me satisfazer plenamente.
Em 1998, cansado de procurar o entalhamento
perfeito, decidi ser simples e colocar as coisas que eu queria (trabalhos,
pensamentos e afins) num site chamado Uno. Para a mnha surpresa,
o site teve um retorno excepcional - ainda mais levando em conta
que nunca teve propaganda oficial. Isso me deu gás para prosseguir,
e ao final do mesmo ano montei, em parceira com a Apis, a primeira
versão do Entropia.
De lá para cá o site
já foi portfolio, base de experimentos, ponto de contato
e mil coisas mais. Há cerca de oito meses eu comecei a pensar
num formato mais versátil, que me permitisse trabalhar todas
essas idéias, e outras mais que surgissem, sem ter que fazer
modificações radicais de estrutura e design. Dessa
necessidade surgiu a idéia de transformar Entropia num scrapbook,
um álbum de recortes (recurso muito utilizado na pesquisa
de informações durante um projeto de design gráfico,
por exemplo), ponde eu poderia "colar" várias coisas
sem perder a noção de unidade. O que você está
vendo é o resultado dessa idéia, na minha visão.
[De Caos e Ordem]
A análise do caos e de complexos desordenados esbarrou durante
muito tempo na incapacidade que temos, em geral, de compreender
sistemas aperiódicos - bem mais comuns na prática
que as famosas CNPT (Condições Normais de Pressão
e Temperatura) e a matemática euclidiana que aprendemos a
tomar como diretriz nas aulas do 2º grau (H.P. Lovecraft que
o diga :). "Caos não é bagunça",
citou certa vez Alan Moore (o escritor de Watchmen e V for Vendetta),
"caos é uma outra forma de ordem. E eu não acho
mais ameaçador viver em um universo com um sentido de ordem
diferente do que em um onde nós tentamos impôr nossa
ordem a esse universo.".
Buscando as raízes do conceito de caos na língua grega,
verifica-se que a idéia de caos como desordem (i.e., "oposição
à ordem") é um tanto equivocada: "cháos"
significa "princípio das coisas", "origem",
"abertura de onde vem o Tudo" - o que ainda não
é nada mas pode ser qualquer coisas, o potencial inicial.
A interpretação desse estado inicial como algo oposto
à ordem (ao invés de "pré-existente")
provavelmente tem origem mais cultural que semiótica.
"com a
barriga vazia / não consigo dormir / e com o bucho mais cheio /
comecei a pensar / que eu me organizando / posso desorganizar /
que eu desorganizando / posso me organizar / que eu me organizando
posso desorganizar"(CSNZ, "DA LAMA AO CAOS")
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